Protagonistas da inclusão, lições do CONARH 2018

Publicado: 30 de agosto de 2018

ARTIGO

Daniel Castello_conarh2018

 

Meu foco no 44º CONARH – Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, realizado pela ABRH-Brasil neste mês – foram temas que alteram a dinâmica social das organizações. Tenho tido curiosidade sobre quanto é realmente possível mudar a realidade de exclusão e diferenças sociais a partir da ação das empresas, e decidi me aprofundar nisso. Foi uma jornada surpreendente e emocionante.

Começou com os Caçadores de Bons Exemplos, o casal Iara e Eduardo Xavier, que, há vários anos, dirige pelo Brasil procurando histórias para mostrar que o mundo pode ser bom, e Yohansson Nascimento, atleta paralímpico brasileiro que nasceu sem as mãos e ganhou várias medalhas paralímpicas em provas de atletismo. Um convite poderoso para acreditarmos que é possível construir uma realidade diferente, se deixarmos o vitimismo e o determinismo em segundo plano.

Na primeira sessão de simultâneas, An Verhulst-Santos, presidente da L’Oréal Brasil, contou a miríade de ações afirmativas para mudar a história, levando para dentro da empresa uma representação demográfica da população brasileira, na forma de pessoas e produtos. E também abordou as ações da L’Oréal de estímulo ao desenvolvimento da ciência pelas mulheres. Incrível.

No segundo dia, a filósofa Djamila Ribeiro falou da importância de cultivar a diversidade de um ponto de vista ético. Com uma elegância ímpar, ela nos convidou a “desnaturalizar” o que achamos normal nas organizações – a olhar para uma sala de diretoria e “estranhar” o fato de só vermos homens brancos ou olhar para a equipe de limpeza e “estranhar” o fato de só vermos mulheres negras. Falou da importância das ações afirmativas para desfragmentar uma sociedade que se fragmentou e se acostumou a colocar as pessoas “nos seus lugares” a partir de estereótipos e razões históricas. Sua calma e didática me impactaram mais do que qualquer coisa que eu já tivesse escutado antes sobre inclusão.

À tarde, contemplei, com alguma tristeza, a pequena plateia em frente ao palco da palestra das três ONGs que trabalham com inclusão de egressos do sistema penal nas empresas. Pensei em como um tema tão importante pode ainda ser um tabu tão gigantesco.

Depois fui assistir ao Guilherme Braga, da Egalité, falar de inclusão de pessoas com deficiência. O foco não é na deficiência – é na pessoa: o que ela sabe fazer, qual é o seu talento, como pode ser mais produtiva e o que precisamos fazer para ajudá-la a encontrar seu espaço. A fala dele é de uma didática impecável: “Não são nem heróis, nem vilões. Apenas pessoas. Como eu e você”.

No último dia, mediei o painel com o Pedro Chiamulera, CEO da Clearsale, empresa que tem uma cultura radical de liberdade, confiança e busca conjunta de resultados. Quando perguntado sobre diversidade, ele respondeu calmamente: “Não é um problema. Em um ambiente de liberdade, a diversidade surge naturalmente. Nós temos todos os tipos de pessoas na Clearsale. Todas são diferentes entre si”. De cair o queixo.

Saí modificado por dentro, inspirado, desafiado. Com a convicção de que, sim, podemos construir um mundo melhor a partir das empresas. No ano que vem, o tema do CONARH é humanismo. Vamos aprofundar essa discussão!
 

TALENTO

O poder do suficiente

Normann Kestenbaum

Se a expressão tempo é dinheiro é conhecida e verdadeira, agora adquire novos contornos. Mais do que propiciar quantidade de tempo, a questão hoje é dar mais qualidade aos minutos que se tem. Essa mudança de chave ajuda a empresa não apenas a tomar decisões mais rápidas e a ter reuniões mais curtas e produtivas, com forte poder de convencimento, mas abre uma oportunidade para que as pessoas exerçam, de fato, os talentos pelos quais foram contratadas.

Essa é a crença de Normann Kestenbaum, professor de Comunicação Corporativa no MBA da FIA e sócio-diretor da consultoria Baumon, que participou do CONARH 2018 com a palestra O poder do suficiente.

Para ele, três coisas estão ultrapassadas quando o assunto é convencer alguém: entregar longos relatórios, fazer apresentações sem fim e tomar muito tempo das pessoas. É preciso ir direto ao ponto. O conteúdo tem de estar na cabeça de quem vai fazer a apresentação de forma organizada, estruturada. “E o que a gente chama de mídia tem de ser um mero fator de retenção, também estruturado e no qual a pessoa possa colocar suas ideias, seus resultados”, disse. Em poucos slides ou páginas. Ou seja, é preciso entender o poder do suficiente.

Para chegar a esse suficiente, ele deu alguns caminhos a partir da metodologia que aplica na consultoria:

– Primeiro, é preciso captar ou extrair o conhecimento sobre o assunto. Isso pode ser feito junto a uma pessoa ou a um grupo.

– Depois, é criada uma estrutura lógica, ou seja, busca-se entender o que foi apurado e coletado em termos de dados e informações sobre o tema.

– Na sequência, as informações devem ser separadas em blocos e, a partir delas, elencados os itens a serem verificados e que ajudarão a dar sustentação à apresentação.

– Por fim, é chegada a hora de escolher a mídia certa. E, se houver a possibilidade, vale fazer uma apresentação antes, para ver o que dá certo e o que não dá.

De acordo com Kestenbaum, esse processo exige algo que parece estar em segundo plano nos dias de hoje: reflexão. A falta de tempo leva à superficialidade, porque as pessoas não param para pensar.

“O RH tem, entre outras ‘bandeiras’, a de buscar a pessoa certa para o lugar certo. Após um processo de seleção desse talento, é preciso dar a ele condições e oportunidades para mostrar a que veio – leia-se mostrar seu talento. Sob nossa perspectiva, se um profissional acima da média receber uma apresentação com 60 slides que deverá fazer para o board no dia seguinte, apenas estará reordenando dados. Ele não terá tempo para exercer o que sabe, na maioria das vezes. Se, por outro lado, forem apresentados a ele apenas três slides dias antes da apresentação, ele terá tempo para pensar, refletir sobre o quê e como falar para outras pessoas. Ou seja, ele poderá aproveitar melhor o seu talento”, finaliza.

(Por Gumae Carvalho, editor da revista Melhor – Gestão de Pessoas)

 

REFERÊNCIA INTERNACIONAL

Bahia 4.0, o case da Pirelli

Pirelli

 Entre as experiências empresariais bem-sucedidas apresentadas no CONARH 2018, a Pirelli marcou presença com Edilson Conceição, diretor da fábrica de Feira de Santana, e Jabio Pita, gerente de RH, para falar do case Bahia 4.0 – Show de Mudança.

O programa teve como objetivo transformar a fábrica de Feira de Santana, na Bahia, em um polo industrial de tecnologia, capaz de produzir o que há de mais moderno em produtos para carros luxuosos.

Construída em 1976, a planta foi modernizada, com processos 100% digitalizados e conectada o tempo todo com outras fábricas do mundo. Além do investimento em novos equipamentos e estrutura de trabalho para os funcionários, o desafio foi evoluir o mindset local para o segmento de alta performance.

Com campanhas de engajamento, treinamento e reforçando o conhecimento técnico dos funcionários, o objetivo foi alcançado. Hoje, a planta de Feira de Santana é um exemplo de indústria 4.0 eficiente e referência internacional para a Pirelli mundial

 

App CONARH 2018 premia protagonistas

CONARH 2018 - aplicativo2Desenvolvido pela Atento, o aplicativo CONARH 2018 possibilitou ao público interagir com outros usuários e ter todas as informações concentradas no celular: programação, currículo dos conferencistas, mapa do evento, informações de infraestrutura e lista de expositores e patrocinadores.
Disponível para download gratuito, o app ranqueou e premiou os congressistas e visitantes que mais interagiram durante o evento, seja participando de enquetes, seja publicando mensagens ou seguindo outros usuários, entre outras ações.

Os números finais dão a dimensão da iniciativa: 3.185 usuários ativos, 49.165 interações e 2.432 publicações na timeline. Os congressistas que mais interagiram foram premiados com pontos do programa de fidelidade Livelo e os visitantes da Expo ABRH, com inscrições para o CONARH 2019.

Conheça os vencedores:

CONGRESSISTAS

1º lugar: Marcela Teixeira do Couto
Prêmio: 50 mil pontos Livelo

2º lugar: Michel Coelho
Prêmio: 30 mil pontos Livelo

3º lugar: Juliana Martins Ferreira
Prêmio: 20 mil pontos Livelo

 

VISITANTES

1° Lugar: Matheus de Freitas Silva
Prêmio: Inscrição para o CONARH 2019

2° Lugar: Fabiana Keranez Nascimento Portela
Prêmio: Inscrição para o CONARH 2019 

3° Lugar: Jaqueline Lopes Valinho de França Cardoso
Prêmio: Inscrição para o CONARH 2019

realidade aumentada

Para fazer download desta edição, clique aqui.

30-08-2018_destaque

 

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